Do seu ninho no alto do penhasco, a águia avistou uma coruja empoleirada na árvore bem mais abaixo, ao pé do grande rochedo, defronte ao ponto aonde morava. Curiosa, ela ficou observando a vizinha que se mantinha imóvel, sem mudar de posição, mexer com as asas, ou ao menos virar a cabeça para um lado e outro, sinal de que vigiava os arredores. E pensava: “Que animal estranho é aquele? Com toda certeza não se trata de um pássaro”.

Alguns minutos se passaram com a águia absorta nessa contemplação, e como durante esse espaço de tempo a situação permaneceu a mesma, o interesse da observadora foi aumentando, aumentando, até que ela não mais se conteve e resolveu verificar de perto o que estava acontecendo. Então a poderosa rapineira pulou do ninho, pôs-se a descer voando em círculos, e quando pousou no topo da árvore, a pouca distância da coruja, perguntou-lhe:

– Quem é você? Como é o seu nome? – Eu sou a coruja – respondeu assustada a interpelada, enquanto procurava esconder-se o melhor possível em meio aos ramos e folhas.

– Mas que bicho feio você é! Que coisa mais ridícula! – comentou a águia entre risadas. – Só tem olhos e penas… Fale mais alguma coisa, pois eu quero ouvir sua voz direito. Se ela for tão bonita como a sua cara, então serei forçada a tapar os ouvidos.

E enquanto conversava ela tentava abrir caminho por entre a folhagem, buscando aproximar-se da coruja que recuava pelos ramos mais finos da árvore, sem conseguir esconder o pavor que sentia. Acontece que o fazendeiro dono daquela área havia passado por ali algumas horas antes e colocado visgo nos galhos mais grossos, e por isso a águia, de repente, se viu presa à armadilha grudenta, e dali em diante, quanto mais ela lutava para se libertar, mais as penas de suas asas ficavam agarradas aos galhos e ramos. Vendo o que acontecia, a coruja lhe disse, aliviada:

– Não vai demorar muito para o fazendeiro aparecer, e aí então você será apanhada e trancada em uma grande gaiola. Também é possível que ele a mate assim que a veja, para vingar-se pelos cordeiros dele que foram parar na sua barriga. E isso é bem feito. Você que é uma águia cuja vida foi toda passada no céu, livre dos perigos e sobressaltos a que nós outros estamos sujeitos o dia inteiro, tinha necessidade de descer lá das alturas e vir aqui embaixo para caçoar de mim?

Moral da história: Quem humilha ou menospreza os seus semelhantes, certamente encontrará um dia alguém que lhe faça o mesmo. Baseado em uma fábula de Leonardo da Vinci.

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