Nós não somos o que somos num estalar de dedos, mas – mesmo sem perceber – vamos construindo, com atos voluntários ou não, a nossa identidade. Assim, uma mãe se constrói também. Primeiro nasce a menina criança, que brinca de bonecas, casinha e pique-esconde, que aprende a dar e receber carinhos, a amar. Naturalmente é meiga e dócil. Aprende a dividir e somar, compartilhar e contribuir, ser solidária e ser social.

Um dia, uma força arrebatadora traz planejadas modificações que a empurrarão em direção ao seu papel biológico: uma torrente de hormônios lhe torneia a forma, e lhe põe um brilho sem igual no olhar, enchendo-a de vida e de atraentes. O mundo se coloca a seus pés e o universo em suas mãos. A puberdade a transforma em mulher, beleza e fertilidade. Percebe-se senhora do seu destino, mas sabendo que a planilha do viver já registrou seus caminhos; é como se dissesse: “vai, que tua missão é grande e urge cumpri-la”. Então, no ventre lhe surge a vida, de forma sutil mas estrondosa, inaparente, mas cheia de comemorativos, linda mas assustadora e, instintivamente, ela a acolhe. Transforma seu corpo e sua mente, preparando-a para a missão apregoada. Mexe com sua vaidade quando lhe coloca estrias, amplia a sua silhueta e por vezes lhe estampa na face o pano. Golpe traiçoeiro mas necessário pois diz a mesma planilha: “deves daqui em diante dar tudo de ti a ponto de esqueceres de ti mesma”.

Obediente ao seu destino, segue se fortalecendo, pois já ama com toda força a vida que abriga. Nesta cruel dicotomia por vezes sobrevem  o medo ou a insegurança, mas ela não dobra os joelhos, aos contrário, segue. Mas não sozinha, pois foi tudo planejado e Aquele que planejou: desde a ação automática do óvulo e dos espermatozóides, da mágica implantação do ovo no útero e do desenvolver do futuro rebento, tudo para prepará-la e lhe dar garantias rumo ao objetivo maior. Se repele e sente aversão pelo amado é para proteger a nova vida, porque sexo é pra produzir; e isso já está se cumprindo. Se as mamas lhe doem é para que não sejam tocadas, ao menos agora. Se tem náuseas, é para ser notificada do que corre no ventre, caso ainda não tenha percebido. Se precisa de meses para gerar é porque precisar gerar também o espírito materno, que tem de ser construído e consolidado. Quando – já ao final da prenhez – não mais consegue dormir direito, é para que esteja apta a atender a qualquer hora do dia e da noite às necessidades do fruto desta saga.

Se vai parir com dor não é por castigo, mas porque foi a forma que o Criador da planilha encontrou para dar ao ápice a intensidade que lhe é merecida; talvez – me permitam as respeitosas ousadia e irreverência – devesse, em vez da dor, executar fogos de artifícios neste momento.

Já me disse alguém que o obstetra deveria realizar os partos de joelhos, não por ser a melhor posição para executá-los, mas porque é assim que se deve estar diante do Divino. Ah, o parto, momento que gera medo e ansiedade, mas que assim não seria se não lembrássemos de que aquela mesma Força geradora da vida, com sua sapiência, jamais abandonaria seu projeto no momento mais importante, no seu clímax. Ao contrário, é Ele que com certeza tudo promove neste momento fantástico. Por isso há de ser ter confiança.

Assim se inicia a Mãe, que então, irá trilhar o belo e árduo caminho do “Padecer no Paraíso” como já se escreveu. Mas sobre este caminho não me atrovo a escrever, pois somente quem o trilha conhece a sua dimensão. Deixo aqui meus respeitosos cumprimentos àquela que tem a honra de participar com o Criador de um de Seus maiores e mais belos projetos: a vida humana.

Mãe, segundo um obstetra (Dr. César Antônio Saviolo Damaceno)

Relacionados:

  1. Mulheres na Bíblia
  2. Mulheres da Bíblia

Cursos 24 Horas - Cursos Online com Certificado

 

Cursos Online na Área de Contabilidade e Economia



Anúncios