Um touro vivia numa campina rodeado de outros touros, algumas cabras e cabritos. Ele gostava de manter-se em evidência, e, para isso, costumava subir numa pedra alta e olhar a todos de cima. As cabras, bem mais que os outros animais dali, percebiam, complacentes, esse gosto taurino.

Como viviam quietas, de cabeça baixa e olhando de esguelha, conseguiam ouvir mais que ver. Na verdade, esse touro falava mal de todos os outros touros, e para isso cochichava para cada um, coisas do outro. As cabras pensavam, levantando as pequenas orelhas, sobre tão estranho comportamento, pois os outros touros acabavam brigando muito entre si devido à maledicência do touro fofoqueiro, sem nada saberem sobre fofocas.

Olhando toda a campina empinado na pedra, o forte quadrúpede imaginava que seu domínio era grande, pois tinha o dom da cizânia quando quisesse instalá-la, e se deliciava em fofocar. Criou-se, como era de se esperar, um mal-estar na campina, tristes uns, raivosos outros, deprimidos alguns… e o silencio se fez.

As cabras e cabritos, que sempre haviam sido silenciosos, não sentiram o problema, mas o touro fofoqueiro deixou de ter alimento, pois ninguém queria conversar. Na solidão e no silêncio, teve paralisia na língua e no coração cizânico.

Moral da história: A maledicência tem a força de um leão somente se chega a corações inseguros.

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