Era uma vez um tamanduá jogador. Desde criança aprendera a jogar os mais variados tipos de jogos do reino animal. É verdade que, por questões de sobrevivência, só sabia fazer isso, esquecendo-se até de quem era como espécie. Quanto mais aprendia e ganhava, mais aumentava seu gosto pelo jogo e mais diminuía sua natureza de tamanduá. Certa noite de jogo, conheceu uma raposa jogadora e ambiciosa e jogaram dias e noites. Ao fim e ao cabo, o tamanduá, muito cansado, havia perdido quase toda sua fortuna, pois que a ágil raposa percebera seus erros e tirara proveito deles. Ao invés de refletir sobre a perda, e dado o vício de jogar, tentou um último lance: num impulso temerário, propôs à raposa:

-Raposa, nós dois juntos ficaremos muito ricos. Queres casar-te comigo?

A raposa, exímia jogadora, assentiu. Afinal, já estava gostando do tamanduá. Os anos foram passando, e o jogo entre os dois cansara a ambos, dada a rotina das jogadas, mas estavam ricos. Um dia, o tamanduá encontrou uma rica lontra que queria jogar, mas não tinha a sabedoria do jogo, o que a tornava uma ótima vítima. Iniciaram as jogadas, porém a lontra demorava nos lances, bocejava e, para o espanto do adversário experimentado, não se importava muito com o que perdia.

-Lontra, um jogo não avança com essa postura! ponderava o irritado tamanduá. Vê, tu estás perdendo outra vez!

-Tamanduá, o que perco acabo ganhando de outro modo, ou em outro momento… e bocejava.

O tamanduá, confuso, tentava jogar com afinco e ganhava, ganhava, mas algo nele já não ia bem, pois arrancava os pêlos a cada jogada. Os lances prosseguiam e o mal-estar do tamanduá aumentava. Então, repentinamente, a lontra, enfastiada, parou de jogar e foi embora, sem palavras. O pobre tamanduá não sentiu prazer algum em ter ganho da lontra, e arrancando ainda mais os pêlos percebeu, com clareza, que não voltaria a jogar. Perdera o gosto. Como não havia atentado para si mesmo enquanto tamanduá, nada sabia fazer na vida. Foi ficando a cada dia mais quieto e triste. Não viveu muito. Sua mulher, a raposa, guardou a fortuna amealhada sem grandes propósitos para gastá-la, pois acostumara-se a jogar em dupla com o marido e nada mais sabia ambicionar.

Moral da História: 1. O peixe morre pela boca, outros bichos pela fraqueza das mesmas escolhas.

2. Viva a vida em cada momento, segundo; a vida vale a pena ser vivida!

Cursos Online na Área de Informática

Anúncios