Num dia de calor intenso, os bichos estavam todos inquietos. Uns achavam que era o fim do mundo, outros acreditavam que tudo passaria. O regato estava minguando e a preocupação era grande. Os pássaros sofriam.

Uma gralha, muito nervosa, que todos conheciam muito bem por ser linguaruda, dissimulada e ter poucos amigos, não parava de gralhar e infernizava os ouvidos alheios, já tão irritadiços pelas circunstâncias. Como ninguém mais prestava atenção às suas palavras, se é que eram palavras, iniciou um plano: juntou os bichos menores, mais fracos de saúde e de força, e os que habitam há pouco tempo na floresta, e mentiu:

– Vocês sabem quem está mandando este calor infernal? É a coruja, que é feiticeira. Precisamos fazer reuniões, porém em segredo, para acabar com ela de vez, e tudo voltará ao normal.

Os pobres animais e pássaros que a ouviam, acreditaram. Após algumas dessas reuniões secretas, e com a ajuda de seu companheiro “gralho” que ela dominava completamente, montaram uma armadilha para a coruja: eles quebrariam o galho onde ela dormia de modo a que não percebesse, e espinhos venenosos estariam esperando por ela quando caísse.

Cuidaram disso e espalharam a todos que a coruja fizera um contrato com o sol, de quem era devota, para que acabasse com todos, para que ela e sua raça dominassem a floresta. Afinal, seus olhos amarelos e reluzentes mostravam o quanto era feiticeira e amiga do sol. Muitos acreditaram.

A coruja não só tem olhos grandes, mas bons ouvidos. E também fez seu plano, que era muito simples: chamou os animais fortes e disse que seu grande senhor, o sol, não agüentava mais a gralhice da gralha que perturbava a ordem de sua inteligência, daí o grande calor. Na mesma moeda, a coruja pagou a maldade da gralha, pois os animais fortes, num instante, depeneram a gralha e a expulsaram, e a seu insípido companheiro, da floresta.

Moral da História: Não estenda suas asas mais que o tamanho de seu ninho.

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