Estava frio o suficiente para que a raposa saísse rapidamente e voltasse à toca com o alimento que encontrasse. Arrumou pouca comida, e, além disso, hospedava um tristonho castor que quebrara a pata e se restabelecia. Dividiu com ele o que pode. Emagrecia há três semanas, desde que hospedava o amigo e compartilhava a ceia todos os dias. Quando diminuiu a neve, a pata do castor já estava boa, de modo que agradeceu a amizade da raposa e se foi. Não passou muito tempo e os dois amigos se encontraram. O castor estava carregando um saco de nozes e a raposa se preparava para caçar.

– Olá, raposa…tenho nozes comigo, mas sei que você prefere caçar, não é?

-…bom, gosto de nozes e também vou caçar, apesar de a caça não estar fácil – disse a raposa esperando que o amigo lhe oferecesse parte do alimento que carregava.

-Ah, então nos vemos por aí, pois já que vai caçar agora…

Espantada com o fugidio castor, a raposa ponderou sobre a dificuldade de alguns em ceder parte do que têm, e não conseguiu entender o porquê. O castor afastou-se, mal podendo carregar a quantidade de nozes que tinha.

Moral da história: Dizem que é dando que se recebe. A lei não é válida diante do mistério da sovinice.

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