escorpiaocongresso

Este fato me foi contado

Pelo velho Mandacaru

Que observou ali parado

O escorpião e o cururu.

Disseram o inseto e o batráquio:

– Me leve à outra margem do rio

– Por que devo levá-lo escorpião,

se podes cravar-me o ferrão?

Respondeu o peçonhento:

– Pense comigo um momento.

Ao fundo vou contigo

Se te prejudico, meu amigo.

O sapo ficou convencido:

– Àquela margem, eu já devia ter ido.

Esta carona não negarei, então.

Sobe em meu dorso, escorpião.

Em meio ao caminho,

O pobre sapinho

Sentiu no lombo o ferrão

Do desleal escorpião.

Por que me fizeste este mal?

Disse o sapo, afinal.

Ao fundo serás tragado

Vais morrer afogado.

Não mais verás o Sol nascer,

Nem sentirás da água o frescor,

As árvores para ti não irão florescer,

Por que me instilaste teu rancor?

O traiçoeiro foi logo afirmando:

Meus desejos não comando.

Renuncio a toda essa Beleza,

Pois essa é minha Natureza.

Disse-me o velho Mandacaru:

Continua a história do cururu.

Pagar pela maldade do escorpião

teria alguma justa razão?

Acontece que ao se debater,

O sapo misturou seu veneno,

(que exala só para se defender,

em seu desespero mais pleno)

à terrível peçonha do algoz.

Que ficou, mudo, sem voz,

Ao ver que os dois venenos unidos

Apresentaram uma estranha faceta

Transformaram sapo em borboleta.

O cruel pôde observar,

Antes de no rio afundar,

As asas azuis ao Sol cintilar.

Moral da história: Se te fazem algum mal transforme-se.

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