Era uma vez um lobo que se deprimia com os erros dos companheiros. Ninguém entendia o porquê disso, pois não é comum aos lobos a depressão. Ocorre que, quanto mais ele se deprimia – dado que as pessoas, quero dizer, os animais não agiam como ele gostaria -, mais admirava a soberania do leão, seu vizinho, aparentemente forte e firme com seu olhar longínquo. Tomou coragem e, entre cabisbaixo e um tanto irritado, foi falar com o leão:

-Caro Leão, como podes ser tão feliz diante de tantos dissabores da vida? Tantos erros? Tanta burrice? Quando converso sobre os erros dos meus companheiros, fazem ouvidos moucos!

-Erros? Que erros? Que burrices? – respondeu o leão balançando soberbamente a juba. Somos o que somos, caro lobo. Se as coisas que vejo e ouço não me apetecem, urro com toda minha força, que não é pouca, e vou passear. Tudo se modifica depois do passeio e do urro. Não sei se sou eu a modificar-me ou se o tempo mudou algumas situações.

O lobo achou muito simples tal pensamento, mas o leão não se dispunha a dialogar sobre erros e burrices. Num instante levantou-se, imponente, para seu passeio diário.

Moral da História: quem se atém demais a lamentos, acaba perdendo os bons momentos.

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