Conta-se que certa vez um mercador grego, rico, ofereceu um banquete com comidas especiais.

Chamou seu escravo e ordenou-lhe que fosse ao mercado comprar a melhor iguaria.O escravo retornou com belo prato. O mercador removeu o pano e assustado disse: -Língua?!!

Este é o prato mais delicioso? O escravo, sem levantar a cabeça, respondeu:

– A língua é o prato mais delicioso, sim senhor.

– É com a língua que pedimos água… …dizemos “mamãe”, fazemos amigos, perdoamos.

– Com a língua reunimos pessoas, dizemos “meu Deus”, oramos, cantamos, dizemos “eu te amo”…

O mercador, não muito convencido, quis testar a sabedoria de seu escravo, e o mandou de volta ao mercado, desta vez para trazer o pior alimento.

O escravo voltou com um lindo prato, coberto por fino tecido. O mercador, ansioso, retirou o pano para conhecer o pior alimento.

– Língua, outra vez?!!, disse, espantado.

-Sim, língua, respondeu o escravo.

– É com a língua que condenamos, separamos, provocamos intrigas e ciúmes, blasfemamos.

– É com ela que expulsamos, isolamos, enganamos nosso irmão, xingamos pai e mãe…

– Não há nada pior que a língua; não há nada melhor que a língua.

– Depende do modo que a usamos.

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