Muitos são os verbos que trazem dificuldades ao cidadão comum; certamente você já enfrentou problemas com eles ao falar ou ao escrever uma frase qualquer. Os verbos ter, pôr, vir e ver são alguns deles, e será sobre eles a nossa coluna da semana. Vamos a eles:

A primeira dificuldade, em relação aos verbos ter, ver e vir, é a acentuação. Como se escrevem? Com um e só? Com dois ee? Com acento agudo? Ou circunflexo?

Os verbos ter e vir serão escritos com um “e” só e com acento circunflexo (^) quando o elemento que tem algo ou que vem a algum lugar ou de algum lugar (o sujeito) estiver na terceira pessoa do plural (eles, elas, vocês…) do presente do indicativo (Todos os dias…). Teremos, então, frases como “Todos os dias eles têm que estudar”; “Elas vêm até aqui para conversar”; “Vocês têm coragem?”. Se o sujeito estiver no singular, não haverá acento algum: “Todos os dias ele tem de estudar”; “Ela vem até aqui para conversar”; “Você tem coragem?”.

Os derivados desses dois verbos (manter, conter, deter, reter, intervir, provir, convir…) receberão acento agudo quando o sujeito for a segunda pessoa do singular (tu) ou a terceira pessoa do singular (ele, ela, você…) e receberão acento circunflexo quando o sujeito estiver na terceira pessoa do plural (eles, elas, vocês…). Teremos, então, frases como “O deputado diz que mantém sua palavra”; “Essas caixas provêm dos Estados Unidos”; “Tu deténs teus ímpetos?”. Já o verbo ver e seus derivados serão escritos com dois ee, com acento circunflexo no primeiro deles, quando o sujeito estiver na terceira pessoa do plural do presente do indicativo. Teremos, então, frases como “Os meninos vêem os jogos da seleção sempre”; “Alguns homens dizem que prevêem o futuro”. Se o sujeito estiver no singular, esses verbos serão escritos com um “e” só e com acento circunflexo. Teremos, então, frses como “O menino vê os jogos da seleção sempre”; “Aquele homem diz que prevê o futuro”.

A segunda dificuldade, em relação aos verbos ter, pôr, vir e ver, é a conjugação deles em certos tempos e modos. O certo é “quando eu pôr” ou “quando eu puser”? “Se eu vir ao colégio” ou “Se eu vier ao colégio?”

O tempo verbal denominado pretérito imperfeito do subjuntivo indica hipótese, condição, é iniciado pela conjunção “se” ou pela conjunção “caso”, é caracterizado pela desinência “sse” e geralmente acompanhado de outro verbo no futuro do pretérito do indicativo, tempo caracterizado pela desinência “ria”: “Se eu estudasse mais, conseguiria melhores notas”; “Caso estudássemos mais, conseguiríamos melhores notas”.

O tempo verbal denominado futuro do subjuntivo indica possibilidade futura, é iniciado pela conjunção “quando” ou pela conjunção “se”, é caracterizado pela desinência “ar”, “er” ou “ir” e geralmente acompanhado de outro verbo no futuro do presente do indicativo: “Se eu estudar mais, conseguirei melhores notas”; “Quando estudarmos mais, conseguiremos melhores notas”.

Esses dois tempos verbais são formados a partir de outro tempo denominado pretérito perfeito do indicativo, que indica ação ocorrida no passado em determinado momento: “Ontem eu conversei com a Giovana”. A terceira pessoa do plural desse tempo é caracterizada pela desinência “ram”: “Ontem eles conversaram com a Giovana”. Se retiramos as duas últimas letras dessa desinência (“a” e “m”), formaremos a base para o futuro do subjuntivo. Se retirarmos também a letra “r” e acrescentarmos a desinência “sse”, formaremos a base para o pretérito imperfeito do subjuntivo. Vejamos, então: “Ontem eles conversaram” é o verbo conversar no pretérito perfeito do indicativo; “Quando ele conversar”, no futuro do subjuntivo; “Se ele conversasse”, no pretérito imperfeito do subjuntivo.

Agora analisemos os verbos apresentados como problemáticos – ter, pôr, vir e ver: Ontem eles tiveram, eles puseram, eles vieram e eles viram = pretérito perfeito do indicativo; Se ele tiver, se ele puser, se ele vier, se ele vir (“vir”, do verbo ver) = futuro do subjuntivo; se ele tivesse, se ele pusesse, se ele viesse, se ele visse = pretérito imperfeito do subjuntivo. O mesmo acontece com os derivados desses verbos: Se eu mantivesse, se eu detivesse, se eu propusesse, se eu compusesse, se eu interviesse, se eu proviesse, se eu previsse, se eu antevisse, quando eu detiver, quando eu retiver, quando eu intervier, quando eu provier, quando eu previr, quando eu antevir.

A terceira dificuldade, em relação a ver e vir, também é referente à conjugação, mas agora o problema são palavras semelhantes: vir, vimos…

“Vir” tanto pode ser o infinitivo do verbo vir quanto o futuro do subjuntivo do verbo ver: “Se você o vir (verbo ver), diga-lhe para vir (verbo vir) até aqui. O mesmo se sucede com todas as pessoas: “Se vocês os virem, digam-lhes para virem até aqui”.

“Vimos” tanto pode ser a primeira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo vir quanto a primeira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo do verbo ver: “Nós vimos aqui agora porque ontem nós vimos o que aconteceu com você”.

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